O perfume, do latim “per fumum” (através do fumo) surgiu no Egito a partir da necessidade de aromatizar o corpo humano. É uma mistura de óleos, água e álcool que tem como finalidade proporcionar cheiros agradáveis duradouros, principalmente nas pessoas. No entanto, há, poeticamente, pessoas perfumadas naturalmente cujo cheiro vem das palavras de amor e de conforto como das boas ações que desenvolvem na sociedade, no companheirismo e na honestidade, no coração bom e puro.
De origem baiana, Irmã Dulce, (1914-1992) que dedicou toda sua vida cuidando dos pobres e dos necessitados, dizia que “quem espalha amor não tem tempo nem disposição para jogar pedras”. Ela era perfumada na alma, nas ações e nas palavras.
Partindo para o anonimato, vemos, diariamente, pessoas que deixam um pouco do seu tempo para levarem alegria e palavras de otimismo a quem precisa. É o caso, por exemplo, do projeto DOUTORES DA ALEGRIA, idealizado pelo palhaço, ator e empreendedor social Wellington Nogueira em 1991. A associação Doutores da Alegria é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos e transita pela área da saúde, da cultura e da assistência social. Mundialmente é reconhecida pelas suas ações que ajudam a melhorar a vida de crianças, adolescentes e adultos. Os participantes dos DOUTORES DA ALEGRIA são pessoas perfumadas. Nos últimos meses, presenciamos pelos veículos midiáticos, várias campanhas em prol dos necessitados por conta do novo coronavírus e do impacto do isolamento social. Pessoas, de diversas classes sociais, ajudam como podem doando alimentos e roupas através dos postos de arrecadação em diversas cidades brasileiras assim como por drive-thru. Parece que essas tragédias surgem para testar nós, seres humanos, e a nossa relação com o outro. Relação essa que deve ser pautada na solidariedade.
É importante salientar que na Antiguidade Clássica éculo (VIII a.C. e o século VI d.C.) foram encontrados os primeiros registros sobre valor da solidariedade que se contraporiam à teoria individualista do sofista Protágoras (81 a.C. - 411 a.C.) que dizia que “o homem é medida de todas as coisas, das que são o que são, e das que não são o que não são”, isto é, bastava só viver em sociedade sem precisar ser necessário para ela, valorizando assim o individualismo.
Sobre o individualismo, Nelson Mandela (1918- 2013) sonhava com o dia em que todos levantariam e compreenderiam que todos eram irmãos. Assim, todos viveriam pela busca da paz, na propagação do amor e no respeito ao outro. Todos seriam pessoas perfumadas. Portanto, perfumarmos os ambientes pelos quais passamos não é difícil, não precisamos dessas fragrâncias mercadológicas para deixarmos outro bem com palavras de otimismo e de fé, com o escutar, com o doar um pouco do tempo para estar com o outro, mesmo a longas distâncias, mesmo com o isolamento social, necessário para a não propagação do vírus mortal.
É necessário abrirmos nossos corações para que os sentimentos bons façam morada e criem pontes entre outros corações que precisam, muitas vezes, só de umas gotinhas da nossa atenção. Assim, pensando quão importante são as palavras, os versos, os poemas para transmitirmos mensagens bonitas e de esperança, surgiu “Vidas Perfumadas” para exalar, através das várias vozes poéticas que aqui se reuniram, o perfume que irradia a vida.
Lista dos autores:
Antonio
Costa
Bethe Bastos
Carlos Moreno
Cláudia Gomes
Denildo Rian
Deusiana Silva
Doralice Mantovani
Dorilda Almeida
Edilene Duarte
Eloina Ferreira da Silva
Fernanda Mothé
Flaviana da Costa Lourenço
Gésia Cássia Lima
Giordano Salustiano Batista
Joana Darc
João Almeida dos Santos
Marcos Pereira dos Santos
Maurício Silva da Anunciação
Maval Ares (Anderson Valfré)
Milene Colin
Milla Paixão
Paulo Roberto Silva
Poetsalú
Rasante Livre (Pedro Augusto)
Rejane Knoth
Roberto Gomes
Tauã Lima Verdan Rangel
Thaís Araripe
Thiago Freitas
Thiago Guimarães Correa
Valéria de Cássia Pisauro
Vera Di Bomfim
Veríssima Xavier

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